Quando eu entrei no Kung Fu, há quase um ano, tinha alguns objetivos em mente. Lógico que eu não tinha a mínima idéia do que ia me acontecer por lá, mas posso dizer que fui buscar algumas coisas ali, como: concentração, foco, disciplina, condicionamento físico, alguns quilos a menos e respeito. Sim, respeito, pois sei que muitas vezes falto com isso às pessoas.
E hoje, passado quase um ano, posso dizer que consegui muito mais do que fui buscar: equilíbrio físico, um pouco de coordenação motora, alguns amigos, o melhor namorado do mundo, auto-confiança e muitas coisas que passaria horas falando.
Sábado passado foi meu exame para a terceira fase, a faixa laranja. Agora terei muito mais defesas pessoais para aprender, muito mais chutes, mais um kati lindo (o que eu considero mais bonito dos katis iniciantes) e começarei a ter aulas de luta, de verdade e precisarei de muito mais preparação física. Mal posso esperar! Só mais uma fase, só uma faixa nova? Para muitos pode ser, mas para mim é bem mais do que isso. Foi todo um planejamento pessoal para que esse exame acontecesse, toda uma disciplina que tive que aprender, todo um condicionamento que eu não tinha e me forcei a ter, todo um treino programado há alguns meses (desde janeiro estava me preparando). Eu me pus essa meta e ralei muito para conseguir, com direito àquele friozinho na barriga momentos antes de ter minha aprovação para o exame, achando que não fosse rolar. E esses últimos meses foram de um grande aprendizado pessoal.
Acima de tudo, eu aprendi o que é ter um mestre. A maioria das pessoas entra na academia quase que reverenciando o mestre local, mas eu nunca tive esse perfil. No início era um professor e eu o respeitava como tal. Com o tempo a gente vai conhecendo as pessoas e as pessoas merecem respeito quando ouvem algumas palavras nossas mais ríspidas com humildade. Mas foi na minha aula de avaliação pro exame que ele me cativou: sabendo que eu ficava nervosa com a presença dele e errava em alguns momentos mesmo sabendo toda a “matéria” de cor, aquele homem ficou me observando, no fundo da academia, de rabo de olho, escondidinho, achando que eu não o via, só para que eu me sentisse mais à vontade. Ele precisava fazer isso? Não… ele é o dono da escola e o sifu, temido por tantos, idolatrado por tantos outros. E eu sou só uma pequena mensalidade da mais comum, da mais barata. Ele poderia pouco se importar com o meu nervoso, mas me avaliou ali escondidinho, com um gesto tão simples, honroso e bonito. E depois de ver minha liberação pro exame, fiquei feliz da vida e fui agradecê-lo. Aquele homem realmente merece meu respeito, meu mestre sifu De Paula. =]
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![exame de graduação para a faixa laranja minha cara de criança. =]](http://campodecenteio.files.wordpress.com/2009/04/100_0371-800.jpg?w=450&h=336)
minha cara de criança. =