Tradição e caráter

Eu falei que as aulas do kung fu voltaram? Pois é… voltaram com a corda toda nesse ano. Eu já estava desesperada em casa (não tive férias, então não viajei) sem treinar. E quando você volta, nos primeiros dias dói a barriga, o cotovelo, perna, braço, pescoço, um sufoco!
Mas aos poucos você vai retomando seu ritmo e logo mais já está com a corda toda pra continuar sua jornada. E já são tantas mudanças: nossas fichas de treino mudaram (e nossas “matérias” também), nossas rotinas de treino, calendários da academia, etc. Já logo no início da aula já fomos informados de que nesse ano terão 3 campeonatos internacionais que a academia promoverá, dentre tantas outras mudanças. Enfim, muita coisa nova pela frente.

E eu agradeço muito por ter o kung fu na minha vida. Posso dizer que ele me trouxe vários benefícios não só de aprendizado de um “esporte”, mas também me trouxe muita disciplina, paciência para aprender e acima de tudo, me mostrou o caminho “correto” do aprendizado que você deve ter com o seu corpo. Porque seu corpo às vezes é um organismo completamente diferenciado da sua mente e aprender a lidar com ele é algo essencial para qualquer coisa que você faça. E você aprende a lidar com o corpo, aos poucos, bem devagar. É como se você ouvisse às vezes seu corpo pedindo algo, dizendo que você deveria ir por um caminho, e não por outro.

Enfatizo aqui a importância do preparo para qualquer tipo de atividade física. Infelizmente, muita gente não dá importância para isso, não ensina o que deveri. Alongamentos, aquecimentos, disciplinas, rotinas de preparo, é tudo muito importante para a sua evolução corporal. Principalmente quando você está disciplinando um corpo alheio. Ensinar alguém a lidar com seu corpo é uma responsabilidade. E eu aprendi todo o pouco que eu sei (há tanto ainda a aprender sobre meu corpo!) com o kung fu.

A disciplina marcial é algo que você pode aplicar à sua vida. E minha escola tem um método muito gostoso de aprendizado.
Eu não dava a mínima pra essa coisa de tradição, metodologia de aprendizado e tudo mais, mas aos poucos fui me convencendo do quanto tudo era muito importante. Dizem as más línguas que muita gente por ai não gosta da minha academia justamente pelo método de ensino que ela tem, por ser tão perfeita, rígida e transparente. Sim, porque como dizem, há muitos mestres por ai que se formaram com o Mestre Toshiba, conhece? Aquele que comprava fitas e dvds (hoje existe You Tube para isso também) e através do seu aparelho Toshiba “aprendia” as lições e se entitulava mestre. Infelizmente os “Mestres Toshibas” adaptados estão em toda parte.

Aqui entra a tradição e o caráter, coisas essenciais para um bom aprendizado. Acho que não comentei, mas em outubro do ano passado, minha academia organizou um campeonato comemorativo com a primeira visita do nosso Mestre Poon Sing ao Brasil. Poon Sing é o nome mais antigo que dissemina o estilo de kung fu que eu faço (Choy Lay Fut) e é um divisor de águas da tradição. Abaixo dele, infelizmente muito se perdeu da tradição e acredito que deva existir algum Mestre Toshiba por ai. Mas Poon Sing é o mestre do mestre do mestre do meu mestre. Na árvore genealógica do meu estilo, todas as linhas são bem claras até o Poon Sing. E assim sendo, eu posso continuar toda a “linhagem” até chegar no meu mestre.

Isso é honra ao ensino. É tradição. É uma método de ensino comprovado. E é caráter. É respeito aos alunos.
Resultado? Minha acadeia faz agora em fevereiro dois anos. Algumas pessoas migraram de outras academias para essa nova, mas ainda assim, em dois anos de “casa”, meu sifu conquistou mais de 300 alunos. 300 alunos em dois anos, meus caros. Isso é caráter!

Abaixo, eu e o Poon Sing (uma doçura de velhinho, daquele que dá vontade de levar pra casa!).

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5 comentários sobre “Tradição e caráter

  1. Raven disse:

    Ti fofo! Qualquer um que se proponha a educar/ensinar deve ter noção da repsonsabilidade… Não importa se é na educação do corpo ou da mente… Isso é lindo, neh? Fiquei com saudade do tai chi chuan… o máximo de arte marcial possível pra mim… hahahahaha…. Ensinou-me equilíbrio que fui desaprendendo com os anos e a falta de prática…hahaha… Mas vamos lá, existem diversos meios pra se chegar a isso…vou experimentando. Quem sabe um dia eu não tento kung fu?

    Curti o post… foi de coração…e o mestre é fofo!

    hahahahaha

  2. Também achei o post muito bonito. Fico feliz que você tenha o Kung Fu como referência de um aprendizado sério e eficiente, até para que você possa ter base para avaliar suas escolhas daqui por diante.
    E mesmo nunca estando próxima das artes marciais, já conheci muitos Mestres Toshiba por aí… E o pior é que no começo eles enganam direitinho, menina.

    Beijo!

  3. Mylena Silva disse:

    Olá!! Eu estive nesse campeonato onde o Mestre Poon Sing estava, assisti sua palestra. Sou de Natal, e não faço Kung fu! (Isso mesmo!). Meu noivo pratica na Lung Fu, “afiliada” da Tat Wong…e eu admiro muuuito a arte. Andei adiando a minha iniciação por achar que não estava muito preparada fisicamente, mas adivinha!? Vou começar! No máximo em outubro…e espero que o Kung Fu me traga tantos benefícios quanto traz para todos os que amam a prática! Espero ir a outros campeonatos, dessa vez como aluna!

    • Rodrigo disse:

      Parabéns pelo post! Sou praticante também de Choy Lee Fut e da linhagem do Grande Sikong Poon Sing. Fico feliz em ver que o estilo está sendo disseminado em outros lugares com a seriedade e respeito que a tradição exige.

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