Sete anos de Kung Fu

Lá se vão sete anos de estudo, aprendizado diário e dedicação.
Em maio de 2008 eu não tinha a menor noção do passo que eu tomaria e que mudaria – para sempre – a minha vida.

Foi assim: Surgiu a ideia de fazer uma arte marcial para agregar condicionamento às aulas de dança que fazia na época, quando me lembrei que no caminho pro trabalho havia uma nova academia de kung fu. Resolvi (com muito receio de ver somente patricinhas loucas e caras marombados) conhecer e fazer uma aula experimental. Nunca, em toda a minha vida, tive nenhuma empatia com artes marciais ou filmes de luta, minha experiência partiu totalmente do zero. E foi ali, naquela aula experimental, que meu coração palpitou mais forte, como se ele soubesse que ali eu viria presenciar tantas transformações, acontecimentos, alegrias e algumas (poucas) tristezas.

Tantas mudanças aconteceram nesses sete anos. Em muitos aspectos, sou uma nova pessoa. Mudei muito, aprendi muito, mas nesses sete anos posso dizer que SEMPRE estive muito bem amparada em todos os momentos (de alegria e tristeza) pela minha nova família. Descobri coisas em mim que eu nunca imaginei estarem ali e se eu fosse só falar sobre isso, daria um textão mil vezes maior que esse.

No meu coração, eu sabia que aquela aula experimental mudaria minha vida para sempre e foi uma das decisões mais sábias que tomei na minha vida. Em sete anos evolui MUITO, aprendi muito mais do que em qualquer outra instituição (escola, trabalho, “família de sangue”). E sou muito grata àquela Edi que tomou coragem de vivenciar algo totalmente novo e distante de sua realidade.

Hoje estou me preparando para dar um outro passo importante e fazer exame para a tão sonhada faixa preta. Não consigo me imaginar mais sem o kung fu na minha vida. Ainda bem. <3

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Marrom – Parte um

E junto com 2012 começo minha “passagem” pela faixa marrom clara. A ansiedade e a felicidade por chegar até aqui são imensas, mas a gratitude e o carinho pelos passos dados no passado também são. Até agora, posso dizer que a faixa vermelha (antecessora da marrom) foi a mais importante na minha vida de kung fu. Seus ensinamentos foram incríveis e sou uma pessoa melhor depois de tudo. Melhor para o kung fu, melhor para a vida e pronta para os ensinamentos futuros.

Esse segundo semestre de 2011 foi bem complexo. De forma alguma poderia dizer que foi “ruim”, ou empregar algum adjetivo negativo, mas foi um período tenso, com muitos aprendizados e muitas provas difíceis. Só consegui processar todo o aprendizado depois que tudo foi concluído. E ainda estou degustando o resultado, feliz.

Foquei nos meus treinos com total dedicação e neles concentrei alguns aspectos da minha vida. Tava feliz? Treinava kung fu. Tava triste? O kung fu ajudava a abstrair o sentimento. Algumas pessoas julgaram isso como errado, dizendo que fazia disso uma fuga, mas hoje vejo que essa foi a melhor estratégia que pude adotar. Foquei “fora” de mim algo que eu gostaria de aos poucos trazer para “dentro”. Eu queria ficar bem. Eu queria melhorar. Queria ser capaz. Dentro e fora do kung fu. O resultado foi que aprendi coisas intensas sobre mim, sobre meu corpo e sobre a forma que lido com o todo. Aprendi que a endorfina pode fazer milagres por você, desde que você aprenda sobre ela. E essas lições transformaram a minha vida.

Aprendi que você deve traçar metas claras para você e não se desviar do caminho. Às vezes você precisa ser flexível, porém sempre determinado. Aprendi que as pessoas que torcem por você e te estendem a mão durante o caminho valem ouro! A ajuda que tive nesse processo foi incrível e me ajudou em muitas horas onde eu parecia ter me perdido na estrada. Aprendi a ignorar as pessoas que vão contra seus objetivos e a passar com um trator por cima dos obstáculos.

Muita coisa acontece durante o caminho e temos que ter a mente aberta para adquirir as habilidades necessárias. O segredo é ter o objetivo fixo no pensamento e ter o coração aberto para os ensinamentos.

Cruzar a marca da chegada é uma sensação mágica, transformadora e reconfortante. Você sabe que foi merecedor de tudo aquilo e pode ainda ir muito além. A sensação do “você conseguiu” é de um valor imensurável e isso só foi possível pelo seu esforço e pelos ensinamentos dos que estão ao lado, pois você não é nada sozinho. E sim, você é uma pessoa melhor se você souber dar valor em tudo isso.

Quem ousou conseguir e sentiu isso na pele, sabe muito bem do que estou falando. Eu sou kung fu. Eu sou vida!

A saga da bolinha

– Mãe, ganhei a bolinha amarela! Logo serei liberada para exame no kung fu.
… depois de alguns minutos…
– Mas você deixa essa bolinha na academia? Cadê essa bolinha?
– Não, mãe. É um adesivo pequeno de papel que é colado na nossa ficha de treino. Significa que estão nos avaliando e que estamos quase prontos para o exame. Quando chegamos no ponto, é colocada a bolinha verde.
– Ah, fiquei imaginando que você já deveria ter um monte de bolinha dessa dai guardada!

Ainda vou escrever uma tese antropológica sobre a metafísica da bolinha (psicologia é para os fracos!).
Pouca gente admite, muita gente fica fascinado pela bolinha.
É um assunto comum as pessoas comentarem sobre o raio da bolinha: “Cadê minha bolinha?”, “Não ganho bolinha”, “Estão regulando minha bolinha”, “Não, ainda está cedo demais pra ganhar a bolinha”, “Ganhei bolinha, yupiiiiiiiiiiiiiii”.

O fato é que a gente que entende da bolinha, parece um bando de louco. Mas eu aguardo ansiosamente a bolinha verde. =D

Um ótimo dia para se terminar o kati!

Pois é. Terminei. \o/
Dá uma alegria que não se faz nem idéia.
Ainda há muito o que se fazer pra ele ficar “razoável”, ainda tenho que melhorar muito a parte física (afinal de contas, fiquei devendo da outra faixa! hehe), mas estamos no caminho. =D
O bom é que tive uma ótima experiência com a minha primeira arma, o bastão. =D
Abaixo, um dos poucos videos que achei com algo parecido com o kati. =D

Tradição e caráter

Eu falei que as aulas do kung fu voltaram? Pois é… voltaram com a corda toda nesse ano. Eu já estava desesperada em casa (não tive férias, então não viajei) sem treinar. E quando você volta, nos primeiros dias dói a barriga, o cotovelo, perna, braço, pescoço, um sufoco!
Mas aos poucos você vai retomando seu ritmo e logo mais já está com a corda toda pra continuar sua jornada. E já são tantas mudanças: nossas fichas de treino mudaram (e nossas “matérias” também), nossas rotinas de treino, calendários da academia, etc. Já logo no início da aula já fomos informados de que nesse ano terão 3 campeonatos internacionais que a academia promoverá, dentre tantas outras mudanças. Enfim, muita coisa nova pela frente.

E eu agradeço muito por ter o kung fu na minha vida. Posso dizer que ele me trouxe vários benefícios não só de aprendizado de um “esporte”, mas também me trouxe muita disciplina, paciência para aprender e acima de tudo, me mostrou o caminho “correto” do aprendizado que você deve ter com o seu corpo. Porque seu corpo às vezes é um organismo completamente diferenciado da sua mente e aprender a lidar com ele é algo essencial para qualquer coisa que você faça. E você aprende a lidar com o corpo, aos poucos, bem devagar. É como se você ouvisse às vezes seu corpo pedindo algo, dizendo que você deveria ir por um caminho, e não por outro.

Enfatizo aqui a importância do preparo para qualquer tipo de atividade física. Infelizmente, muita gente não dá importância para isso, não ensina o que deveri. Alongamentos, aquecimentos, disciplinas, rotinas de preparo, é tudo muito importante para a sua evolução corporal. Principalmente quando você está disciplinando um corpo alheio. Ensinar alguém a lidar com seu corpo é uma responsabilidade. E eu aprendi todo o pouco que eu sei (há tanto ainda a aprender sobre meu corpo!) com o kung fu.

A disciplina marcial é algo que você pode aplicar à sua vida. E minha escola tem um método muito gostoso de aprendizado.
Eu não dava a mínima pra essa coisa de tradição, metodologia de aprendizado e tudo mais, mas aos poucos fui me convencendo do quanto tudo era muito importante. Dizem as más línguas que muita gente por ai não gosta da minha academia justamente pelo método de ensino que ela tem, por ser tão perfeita, rígida e transparente. Sim, porque como dizem, há muitos mestres por ai que se formaram com o Mestre Toshiba, conhece? Aquele que comprava fitas e dvds (hoje existe You Tube para isso também) e através do seu aparelho Toshiba “aprendia” as lições e se entitulava mestre. Infelizmente os “Mestres Toshibas” adaptados estão em toda parte.

Aqui entra a tradição e o caráter, coisas essenciais para um bom aprendizado. Acho que não comentei, mas em outubro do ano passado, minha academia organizou um campeonato comemorativo com a primeira visita do nosso Mestre Poon Sing ao Brasil. Poon Sing é o nome mais antigo que dissemina o estilo de kung fu que eu faço (Choy Lay Fut) e é um divisor de águas da tradição. Abaixo dele, infelizmente muito se perdeu da tradição e acredito que deva existir algum Mestre Toshiba por ai. Mas Poon Sing é o mestre do mestre do mestre do meu mestre. Na árvore genealógica do meu estilo, todas as linhas são bem claras até o Poon Sing. E assim sendo, eu posso continuar toda a “linhagem” até chegar no meu mestre.

Isso é honra ao ensino. É tradição. É uma método de ensino comprovado. E é caráter. É respeito aos alunos.
Resultado? Minha acadeia faz agora em fevereiro dois anos. Algumas pessoas migraram de outras academias para essa nova, mas ainda assim, em dois anos de “casa”, meu sifu conquistou mais de 300 alunos. 300 alunos em dois anos, meus caros. Isso é caráter!

Abaixo, eu e o Poon Sing (uma doçura de velhinho, daquele que dá vontade de levar pra casa!).

Ainda, do início precoce da primavera

Final de semestre é sempre corrido. Só me dei conta de que era corrido assim quando estava na faculdade (ai, e como é bom falar disso no passado! uma das melhores alegrias da vida!), mas agora noto que é sempre assim! E quando você trata de mil coisas ao mesmo tempo, parece que o tempo corre 10 vezes mais rápido! “Final de semana” para mim virou sinônimo de domingo. Pura e simplesmente, já que sábado chego às 10:30h no estúdio de dança e só saio às 16:30h. Faço 5 aulas seguidas, meu povo. Agora como estamos em época de pré-espetáculo, a coisa ainda piora, pois às vezes temos reposições extras. E durante a semana faço aulas de kung fu em quatro dias. Meu domingo é ultra precioso. =]

E lá vou eu falar mais uma vez da falta de tempo. Para os e-mails, telefones e tudo mais. Tenho tanta coisa pendente aqui, que fico perdida. Semana que vem eu calculo que terei um pouco mais de tempo. Mas não reclamo, não, nem de longe.

O fato foi que eu pedi demissão. Nunca tinha feito isso na vida e sempre tive um baita medo de fazer esse tipo de coisa. Mas a situação no outro lugar era tão tensa, que todas as pessoas mais próximas me aconselhavam a pedir demissão. Como elas não se falaram previamente e não combinaram entre si, o fato de todas elas darem a mesma opinião acho que significava algo. Resolvi arriscar. Com as pernas tremendo, entrei na sala da ex-chefe e disse que queria minha demissão. Ela mal questionou o porquê (era tão óbvio!) e me pediu para falar com o RH e ver um modelo de carta. Mas a minha já estava prontinha na bolsa, elaborei tudo com antecedência. E sai de lá ainda com as pernas cambaleando, sem emprego novo em vista, sem dinheiro, precisando de um milhão de reais (bom, isso não mudou até agora!). E 4 dias depois, enquanto meu cachorro despencava da laje, recebi uma proposta de emprego que no momento era meu sonho de consumo! Bem, uma semana depois de pedir demissão estava contratada! Agora sou uma pessoa que trabalha com endomarketing, numa empresa mega fofa, numa oportunidade mega fofa e com um chefe mega fofo. Meu trabalho é proporcionar “mimos” aos colaboradores da empresa. E nessa semana tudo está corrido, porque estou num evento fora da empresa. É um campeonato de video game para alguns colaboradores que trabalham em um cliente. Tenho que ficar jogando Xbox com eles, é muito triste. :-P

Mas é isso. Fiquem ai com uma foto embaçada (mas feliz) do meu último exame do kung fu. É do final do exame, final da parte de teste de resistência física, o cavalo.

O kung fu

O kung fu

E a bolinha é verdeeeeeeeee!

Uma das ótimas notícias da temporada é que oficialmente fui liberada para o exame da quarta fase do kung fu.
Hoje, depois do treino, fui conferir minha ficha e lá estava minha amada bolinha verde.

Ufa, essa tem um gosto especial, quando parecia estar quase fácil, ficou difícil de consegui-la.

Mas é isso. Em menos de duas semanas estarei estreiando minha faixa nova e aprendendo um kati novo.

Viva!