“A corrida de longa distância me moldou como a pessoa que hoje sou, e tenho esperança de que ela continue a ser uma parte de minha vida pelo maior tempo possível. Ficarei feliz se a corrida e eu pudermos envelhecer juntos. Pode não haver muita lógica nisso, mas foi a vida que escolhi pra mim. Não que, a essa altura tardia, eu tenha outras opções.”
[“Do que eu falo, quando eu falo de corrida”, Haruki Murakami, SEU LINDO! <3]

Sobre “A morte de Bunny Munro”, parte um

Poodle  recentemente lhe contou sobre um pica-doce de Portslade que passou de comedor a brocha depois de ir a show da Celine Dion. Simplesmente não conseguia mais levantar o bichinho. Esse cara tinha contado a Poodle que era como tentar enfiar um canário morto em um caixa automático. No fim das contas, o sujeito pendurou as chuteiras e foi ser paisagista em Walberswick. Sinistro.

“A morte de Bunny Munro”, Nick Cave

 

Sobre Minha querida Sputinik

De modo que é assim que vivemos as nossas vidas. Não importa quão profunda e fatal seja a perda, o quão importante fosse o que nos roubaram – que foi arrebatado de nossas mãos -, mesmo que mudemos completamente, com somente a camada externa da pela igual à de antes, continuamos a representar as nossas vidas dessa maneira, em silêncio. Aproximam-nos cada vez mais do fim da dimensão do tempo que nos foi estipulado, dando-lhe adeus enquanto vai minguando. Repetindo, quase sempre habilmente, as proezas sem fim do dia-a-dia. Deixando para trás uma sensação de vazio imensurável.

“Minha querida Sputinik”, de Haruki Murakami

… e assim caminha a humanidade

Livros em 2010

Esse foi um ano importante para a minha leitura. Há algum tempo eu estava com um certo bloqueio. Por algum motivo, não conseguia ler nenhum livro até o final. Isso porque eu tenho pilhas e pilhas de livros não lidos na estante. Uma período de grande descontentamento comigo mesma. rs
Em algum lugar de 2010 isso mudou. Acho que parte por conta do Luar na Laje que tem uma proposta tão bacana, e por conta também do prazo que eu tinha pra ler os livros (deuses me livrem de pisar na bola com um faixa preta! rs), mas aos poucos a periodicidade voltou e posso dizer que ao final do ano foi surpreendente (parte por conta da obra também).
Depois quero fazer alguns comentários isolados sobre alguns livros, tenho ótimas coisas para compartilhar. Graças ao Skoob, posso relacionar meus livros online e deixar uma listinha lá. Está sendo muito útil. Fora da ordem, vamos lá:

1 – Mas não se matam cavalos – Horace McCoy
2 – A metafísica dos tubos – Amélie Nothomb
3 – Higiene do assassino – Amélie Nothomb
4 – As catilinárias – Amélie Nothomb
5 – Medo e submissão – Amélie Nothomb
6 – Cabeça a prêmio – Marçal Aquino
7 – Água para elefante – Sara Gruen
8 – Juliet nua e crua – Nick Hornby
9 – O sussurro da mulher baleia – Alonso Cueto
10 – O fundamentalista relutante – Mohsin Hamid
11 – Gênesis – Bernard Beckett
12 – O senhor das moscas – William Golding
13 – Percy Jackson e os Olimpianos – Vol 1 O Ladrão de Raios – Rick Riordan
14 – Percy Jackson e os Olimpianos – Vol 2 O Mar de Monstros – Rick Riordan
15 – Percy Jackson e os Olimpianos – Vol 3 A Maldição do Titã – Rick Riordan
16 – Percy Jackson e os Olimpianos – Vol 4 A Batalha do Labirinto – Rick Riordan
17 – Percy Jackson e os Olimpianos – Vol 5 O Último Olimpiano – Rick Riordan

Nada mal, né? :)

Sobre o "Água para elefantes"

A-ha! Meu pressentimento não costuma falhar (e até rimar! haha!)!
Dia desses estava fuçando as páginas de promoções do Submarino e me deparei com um livro de título estranho, “Água para elefantes”, que me chamou a atenção. Li rapidamente a descrição e vi que tinha uma temática circense. Gosto disso.
E como estava apenas R$ 9,90 resolvi arriscar meio no escuro, num impulso. Depois de pagar, à noite, pesquisei algumas coisas e comecei a ficar receiosa, por mensagens do tipo: “As pessoas que leram esse livro, também leram ‘O menino do pijama listrado’ e ‘O caçador de pipas’. Em seguida, li alguns depoimentos do tipo “Ai, tipo assim, o livro é tipo maravilhoso, sabe? Tipo daqueles com final feliz”. A história não melhorou, li várias críticas nesses sites de pessoas que ganham livros e gostam de todos. Aliás, porque será que as pessoas que lêem livros e escrevem críticas, só sabem copiar a sinopse?
Enfim… recebi o dito cujo e o levei para os meus hábitos alimentares. Explico: Onde trabalho há um refeitório próprio, com uma comida maravilhosa. Almoço, e tenho preciosos minutos do meu horário livres. Como na rua não há nada além de carros e uma agência dos correios, aproveito para ler.
Demorei um pouco mais de uma semana de horário de almoço para terminar. O começo me pareceu bacana, mas ainda assim eu tinha receio. Um velhinho num asilo abandonado pela família, que começa a contar suas memórias que ninguém nunca antes pediu pra ouvir. Ele trabalhou no circo, num período fodido de ruim, sofreu pra caramba e blá, blá, blá. Todos os indícios de ter um final mega feliz digno de um livro de auto-ajuda.
Porém, o velhinho não é o mais legal do livro. O melhor dali é a Rosie, a elefanta. “Ela é um charme, tipo assim, tudo de bom, saca?”, deveriam ter dito!

Ainda receosa com o final, fui me deixando envolver. E não é que o livro tem um final lindo??? Claro, pela elefanta. E a nota da autora nas páginas finais diz que ela dedica o livro a duas elefantas reais da história do circo.A-ha! Ai é que está a melhor parte: Não é que a autora (uma tal de Sara Gruen, prazer!) é uma defensora dos animais?
“Bravo! Ai, sim!”, foi o que ninguém disse.
Descobri que ela só escreve sobre bichos e tem dois outros títulos não publicados no Brasil, “Riding lessons” e “Flying changes”. Vou até pesquisar pra ver se encomendo.

Beca, ela

“Há um impulso de fé cega que vai se formando nas pessoas, sabe? Algo que poderíamos chamar de auto-estima, ou confiança em si mesmo, não sei como chamar. Ou seja, isso é quase a matéria de que os sonhos são feitos. É o que nos faz resistir, ter a convicção de que as coisas vão dar certo no trabalho ou com as amigas. É um ponto a partir do qual podemos construir algo sólido, algo que suporte o movimento das coisas de fora. Graças a isso, podemos nos sentar um dia diante de uma mesa e escrever algumas idéias para um projeto, e podemos receber ordens do chefe, e ligar para alguém para convidá-lo para sair, e chegar em casa e experimentar um vestido diante do espelho. Temos que ter uma coragem enorme, às vezes uma temeridade imensa para ficar na frente de um espelho e olhar, olhar. Percebeu que ninguém consegue se olhar por muito tempo? Ninguém, ninguém. Nem sequer a pessoa mais bonita. Apenas um vislumbre, mas não muito tempo. Mas isso é um problema de cada uma, conseguir fazer com que suas pernas a sustentem. Ter as pernas bem colocadas sobre o mundo e poder resistir a ele.”
(Rebeca em “O sussurro da mulher-baleia”, de Alonso Cueto)

A minha meta para o dia do jogo da seleção era terminar de ler o livro acima. E boas páginas foram lidas durante a viagem para casa, que durou até o final do primeiro tempo. Mas graças ao livro, fiquei um tempão no ponto de ônibus, depois esperei que ele super lotasse, ouvia lá fora as vuvuzelas e só pensei que felizmente tinha o livro para ler. E demorei para ler as últimas páginas, com receio de que meu companheiro acabasse antes do destino final. Apesar de breve, a companhia de Rebeca foi bem interessante. O repúdio de Veronica, sua suposta amiga de infância, nos faz lembrar todo o contexto de “moralmente correto” que uma pessoa carrega pela vida inteira. Sempre que cometemos um erro, tratamos de nos enganar e arrumar desculpas para nos encaixarmos no “moralmente correto”. E a culpa fica ali escondida embaixo do tapete, mas sempre aparece nos pesadelos.

Leitura rápida, perfeita para bancos de ônibus, demorei umas 4 viagens para ler, acho. Se eu resumir a história aqui, não parece tão interessante. É como aquela piada que só tem vida na interpretação do piadista. No início me lembrou o maravilhoso “Misery“, do Stephen King, mas depois tomou um rumo diferente. Apesar de ainda preferir o “Misery”, Rebeca tem lá o seu charme, principalmente por tratar de sociopatias, discriminação e preconceitos que vemos ai, todos os dias, nesse mundão de Deus sem fim.

Sobre livros, a evolução

De alguma forma, eu acho que o período de inércia nos livros acabou.
Pelo menos tenho lido mais, sem simplesmente me esquecer que li algo e não terminei.
Claro, ainda existe uma lista de livros “em andamento”, mas leio alguns ininterruptamente.
Para isso, fiz uma conta lá no Skoob. Meu perfil está aqui.
É mais só pra eu ter um “controle” do que leio. Preciso de facilitadores para minha organização diária, me perco muito fácil entre os afazeres.

Mas parte dessa leitura, tem se dado ao “Luar na laje“.
É uma proposta bem bacana de uma biblioteca virtual.
Você se cadastra e pede um dos livros do acervo. É um acervo bem peculiar, pra nossa sorte.
Eles te mandam o livro pelo correio, com (pasmem!) um envelope selado para a devolução. O custo é zero. :-O

Os caras são bacanas e te mandam até e-mail no aniversário. Chique!
Entrem lá e peçam um livro. É uma experiência gostosa.